Procure a calma dentro de você
- elizeucorreia3
- 14 de out. de 2019
- 6 min de leitura
Auto-controle é possível!

Análise do comportamento é uma abordagem psicológica que passou por diversas mudanças com o decorrer do tempo. Tendo em questão vários procedimentos e diversos estudiosos sobre ela, será mostrado a seguir como está ciência chegou a seu estado atual mostrando os principais autores e pesquisadores que deram início a essa nova abordagem psicológica com dados realizados em laboratório.
Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936) era um fisiólogo russo que pesquisava sobre a salivação dos cães através da apresentação de comida. Após um tempo de pesquisa, ele percebeu que estes salivavam antes mesmo da comida ser apresentada. Somente o som dos passos de Pavlov indo de encontro ao cachorro já era motivo para o mesmo salivar. Curioso, ele fez vários testes experimentais para entender tal comportamento. Ele apresentou então ao animal outros estímulos juntamente com o alimento e após certo período de tempo somente o estímulo que antes era neutro (estímulo que não gera a resposta de salivar) e que foi apresentado juntamente com a comida era suficiente para que o animal salivasse.
Por exemplo, Pavlov acendia uma luz e mostrava a comida. O cão salivava por causa do estímulo comida, porém após um período repetindo esse processo chamado de emparelhamento, o animal salivava perante a luz sem a apresentação da comida, ou seja, existia um reflexo inato que estava ligado a salivação perante a refeição, e ocorreu uma aprendizagem de um novo reflexo, no qual o cachorro saliva perante a luz. Pavlov denominou está reação de reflexo condicionado (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).
John Broadus Watson (1878-1958) foi um psicólogo estadunidense, que em 1913 publicou um manifesto com o nome de “Psychology as the Behaviorist View It”. A psicologia como um behaviorista a vê. Ele se inspirou no trabalho de condicionamento de Pavlov. Watson estava criando uma nova abordagem psicológica chamada behaviorismo. Ele queria uma psicologia objetiva e passível de experimentação, assim se diferenciando das abordagens psicológicas mentalistas criadas por Wilhelm Maximilian Wundt. (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009)
Neste artigo Watson faz a seguinte afirmativa:
A psicologia humana falhou em cumprir sua reivindicação como uma ciência natural. Devido a uma noção errônea de que seus campos de fatos são os fenômenos conscientes e que introspecção é o único método direto de averiguar esses fatos, ela emaranhou-se em uma série de questões especulativas as quais, enquanto fundamentais para seus princípios atuais, não são abertas para o tratamento experimental. Na busca pelas respostas a essas questões, ela se tornou mais e mais afastada do contato com os problemas os quais dizem respeito vitalmente ao interesse humano (WATSON, 2008/1913, p.300).
Sendo assim o behaviorismo de Watson estudava o comportamento através dos preceitos de estímulos e respostas. Para os behavioristas, o “ambiente”, diferente do senso comum, é tudo aquilo que cerca o indivíduo, seja objetos, pessoas, ou até mesmo efeitos sonoros. É chamado de estimulo (S) qualquer um destes fatores que estejam presentes no ambiente e que possam alterar o comportamento. Isso pode ser mostrado através do experimento realizado por Watson com o pequeno Albert. Sua assistente Rosalina Rayner segurou o bebê de maneira que ele não notasse que Watson estava por trás dele. Havia um bastão de metal, de 1,2m de comprimento por 2cm de largura, que estava pendurado no teto. Watson bateu contra ele um martelo, com uma força muito alta, criando assim um som muito estridente. Após a primeira batida Albert alterou a frequência da sua respiração e levantou seus braços, Watson repetiu o processo e o bebê começou a tremer e comprimir os lábios. Na terceira batida, Albert começou a chorar. Esses comportamentos emitidos por Albert podem ser classificados como a emoção medo. Tais respostas (R) foram eliciadas a partir de um estimulo, neste caso o som estridente (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).
Com isso Watson estudava o comportamento através dessa relação de estímulo e resposta, e acreditava que com isso é possível entender e manipular o comportamento humano. No mesmo experimento com o pequeno Albert ele chegou à conclusão de que o estímulo (S) som estridente gera a resposta (R) inata de medo, ou seja, esta relação é um reflexo inato. Ele fez basicamente o mesmo que Pavlov com o cão, ele condicionou Albert a sentir medo diante de algo que não gerava isto anteriormente, que neste caso foi um rato branco. Ele apresenta o som estridente com a batida do martelo no bastão de metal e apresentava, juntamente com isto, o rato. Após algumas seções de emparelhamento desses dois estímulos, o bebê começou a sentir medo só de ver o rato, emoção que não era eliciada por este antes. Watson havia feito o bebê aprender um reflexo condicionado (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).
A partir dos estudos de Watson e Pavlov em 1953 um psicólogo americano chamado Burrhus Frederic Skinner publicou um livro chamado “Science and Human Behavior”. Este viria a apresentar um modelo de renovação do behaviorismo de Watson, sendo este modelo denominado behaviorismo radical.
Diferente do behaviorismo metodológico de Watson, esta era uma nova filosofia que cercaria a ciência do estudo do comportamento. Skinner não estava preocupado em explicar como ocorria o comportamento, mas sim em descrevê-lo. Ele se dedicava ao estudo das respostas, pesquisando acerca do comportamento observável (SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).
Análise do comportamento é a ciência que se embasa na filosofia anteriormente explicada, sendo a abordagem psicológica que busca compreender o comportamento humano para assim poder modificá-lo. Como visto antes, estímulo é tudo aquilo que está presente no ambiente e que pode alterar um comportamento, e o que se é feito diante desse estímulo é denominado resposta. Essa abordagem busca compreender a relação entre o indivíduo com o seu ambiente. Skinner estudava sobre as consequências dessas respostas e como elas alteram o comportamento, e é exatamente isto que foi chamado de condicionamento operante (MOREIRA; MEDEIROS, 2007; SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).
O comportamento operante gira em torno de alguns preceitos, sendo eles: Esquemas de reforço, modelagem e discriminação. Quando uma reposta emitida é recompensada denomina-se reforço. Estes reforços podem ser negativos ou positivos. Lembrando que em análise do comportamento os termos “positivo” e “negativo” não são sobre algo ser bom ou ruim, mas sim de acrescentar algo em seu ambiente ou retirá-lo. Por exemplo, tocar a campainha ao visitar um amigo e este abrir o portão: O ato de atender é um reforço positivo, porque algo foi acrescentado no ambiente. Agora um exemplo de reforço negativo: um funcionário chega todo dia atrasado e seu chefe lhe repreende, um dia ele chega no horário, logo não será repreendido, seu comportamento será reforçado pela ausência da bronca. Existem outros esquemas de reforçamento que serão explicados abaixo (MOREIRA; MEDEIROS, 2007).
O CRF (sigla que significa “Continuous reinforcement” – Reforçamento contínuo), é o procedimento em que toda reposta é reforçada, por exemplo, o ato de trancar a casa para evitar um roubo será sempre reforçada por ter evitado tal estímulo aversivo.
Já o processo de modelagem corre da seguinte maneira. Toda resposta que se aproxime do comportamento desejado é reforçado. Skinner diz que:
A ocasião em que o comportamento ocorre, o próprio comportamento e suas consequências estão inter-relacionadas (...). Como resultado de seu lugar nessas contingências, um estímulo presente quando uma resposta é reforçada adquire certo controle sobre tal resposta. (SKINNER, 1974 apud ARANTES; ROSE, 2009, p.66).
Ou seja, experimentalmente o pesquisador pode manipular o comportamento através do reforço. Reforçando-o cada vez que indivíduo emite uma resposta mais próxima do comportamento desejado. Isso é bastante usado na discriminação operante. A discriminação faz uma análise através de uma contingência tríplice, e observa o estímulo antecedente a resposta, a resposta em si e a consequência desta. Na discriminação operante, uma reposta específica só acontece na presença de um estímulo em específico, e esse estímulo anterior a resposta, é chamado de estímulo discriminativo (SD), sendo aquele que sinaliza uma consequência. Como por exemplo, o sinal vermelho indica “parar”, a resposta de parar o carro é reforçada por evitar um acidente, ou seja, o estímulo discriminativo indicou uma consequência. Também pode-se citar o exemplo ligar a TV às 22:50 em um canal para assistir um filme, se ligar o parelho nesse horário, no canal do filme haverá o reforço com o filme, agora se ligar a TV em outro horário, não haverá o reforço (MOREIRA; MEDEIROS, 2007).
O presente artigo tem como objetivo mostrar na prática como é feito esses procedimentos que foram citados anteriormente, e mostrar o quão útil são para uma intervenção psicológica.

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