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Violência Sexual e Abuso

  • elizeucorreia3
  • 14 de out. de 2019
  • 3 min de leitura

Como os tipos de violência infantil afetam a Vida Adulta?






Os relacionamentos abusivos e as suas repetições violam a integridade física e psíquica de qualquer indivíduo, não só de crianças e adolescentes, mas até mesmo homens e mulheres, porém, como podemos acompanhar a maioria não consegue identificar essas práticas como violentas a princípio, que inicialmente parte dos seus próprios familiares, o que torna complicado e complexo de comprovar a agressão, até mesmo após o


relato da criança. Algumas vítimas, por se sentirem fragilizadas, sem amparo externo, sozinhas e incapazes, devido ao desenvolvimento estar ainda numa fase de imaturidade, pouca idade, dependência financeira, emocional, acabam tendo dificuldade de se desvencilhar das situações de abuso. Sendo assim, buscamos compreender a naturalização desta violência e como algumas atitudes podem influenciar o desamparo social e a desconstrução da hierarquia familiar saudável e da confiabilidade do papel em família.

Analisamos o filme “O Silêncio de Melinda” de Jéssica Sharzer (2004) com o intuito de ilustrar a temática e contextualizar o estudo apresentado pelos autores consultados. O trabalho iniciou-se com as definições sobre a violência e do perfil do agressor com um perfil traçado na contemporaneidade. Posteriormente, a partir das elaborações teóricas psicanalíticas, pudemos apreender como relações abusivas têm ligação com as figuras parentais, ou melhor, das formas de relações que são repetidas transgeracionalmente em casos pesquisados.

Vimos que essas ocorrências são, muitas vezes e inconscientemente, assentadas nas relações parentais que até perpassam em abusos extrafamiliares, podendo influenciar o modo como se relacionarão na vida adulta. Em outras palavras, famílias que possuem uma dinâmica familiar conflituosa, marcada pela violência, abusos, podem contribuir para a repetição de situações abusivas não de modo consciente, mas envolvendo o papel e a função de cuidado e proteção na cultura presente nos mitos familiares.

O grande desafio na atuação psicólogo é seu papel como agente possivelmente transformador neste contexto, pois apreendemos que a família desempenha uma função importante na vida dos sujeitos, por ser o lugar em que são estabelecidos os seus primeiros vínculos. Trata-se de uma instituição que apresenta grandes índices de violência, mas que deveria propiciar um ambiente seguro e sadio. Sendo assim, é complexa a intervenção do psicólogo neste contexto de vulnerabilidade, pois, quando a família é marcada pela violência, ela se apresenta emaranhada nos afetos ambivalentes da subjetividade de seus membros.

Trata-se de um conflito que se apresenta entre prazer e desprazer, pulsão de vida e de morte, no interior da dinâmica familiar. Existe um sofrimento entre seus integrantes, na relação familiar e, muitas vezes, faltam condições materiais e imateriais para a superação de seus conflitos, que supostamente o guardar em segredo pareça ser a melhor fuga, em seus mecanismos de defesa.

É importante, desse modo, que psicólogos reflitam sobre seu papel como possível agente transformador neste cenário, em que a relação é expressa por meio da violência e esta representa um aspecto importante na constituição da subjetividade do sujeito. Não excluindo os casos de abusos extrafamiliares, que são aqueles perpetrados por outrem próximo da criança, que seduz e violenta de forma que não considera sua vulnerabilidade, aproveitando disso e da ausência de seu conhecimento para lidar contra sua investida, realizando a prática abusiva, seja também por violência física ou negligência.

Para finalizar, considero necessária a realização de mais estudos sobre a temática, pois precisamos de maiores soluções judiciais e de prevenção a esta causa. Por ser uma violência velada, a psicologia/psicanálise pode contribuir para desvelar e tornar pública a discussão, o que caracteriza uma das motivações que tive e a necessidade de nos apropriarmos mais sobre a temática. Uma das dificuldades que encontrei durante o trabalho, foi de ver ainda em noticiários, até caso de atendimento no meu estágio de ludoterapia, que a impunidade aos agressores extrafamiliar e intrafamiliar no nosso país é inaceitável, onde os agressores permanecem com a liberdade, próximo da vivência da criança.

Estudos que abordem situações de abuso sexual em todos os âmbitos, que desmistifiquem o conceito de cuidado, proteção e punição aos agressores, são um primeiro passo para adentrar nesse campo de pesquisa avaliando situações diversas, em contextos variados e classes sociais distintas. Para que os sujeitos possam se relacionar de forma saudável, não abusiva, respeitando a singularidade de cada um e para que não se privem de sua liberdade e da forma de viver a vida que desejam viver, até mesmo se esse sujeito foi vítima de tal agressão.

(Monografia de Elizeu Gonçalves Correia)

 
 
 

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